portugal terra de ninguem


ACUSO

miguel westerberg

miguel westerberg

Após três bons anos em são Paulo – Brasil, regressei a minha pátria, Portugal. Desdo inicio do ano de 2009 já vinha ouvindo falar que o mundo se encontrava em crise, mas o senario que acabei por conhecer face a minha nação é das mais decadentes que um filho da pátria pode contemplar.

Poderia escrever sobre o desemprego, mas este assunto é tão debatido e tão patente aos nossos olhos que seria autentica perda de tempo. O que na verdade mais me preocupa é forma como o empregador trata seus funcionários. Desde que cheguei e já tem cerca de seis meses tenho vivido perante um cenário horripilante, tudo porque atualmente os patrões não querem fazer contratos, deste modo nós a meros funcionários temos que nos sujeita nos as medidas que eles nos propõem e´que digo desde já que são as piores que qualquer ser humano pode enfrentar.

Para começar das três empresas em que trabalhei, todas elas me pediram recibos verdes, deste modo não me passavam contrato. Trabalhando cerca de 12 a 14 horas e tendo apenas um dia de folga semana sempre durante a semana, impedindo me assim de poder estar com meu filho.

Escrevi me por varias vezes em centros de emprego afim de poder encontrar melhorias e ate hoje me encontro a espera, isto já vais para seis meses. A única e primeira resposta que obtive faz hoje cinco dias, que era para trabalhar numa empresa nos arredores do porto, para embalador. Tive que renunciar tal convite pois como não tinha conseguido obter trabalho na região do norte, parti para Lisboa esperando melhor sorte. É certo que consegui trabalho, mas em condições que considero desumanas, afinal se ouve tantas vezes dizer por ai que somos cidadãos da comunidade européia e que temos que usufruir das mesmas regalias,o que não acontece.

Esta é a verdade que nossos dirigentes políticos não estão nem ai para nós e ainda tem o descaramento de nos pedir que votem neles, para que a direita não fique a rir, todos eles são farinha do mesmo saco, ou melhor, dizendo: gira o disco e toca o mesmo.

Interrogo os demais sobre este assunto: porque será que nós portugueses temos que ser tratados de forma diferente dos de mais cidadãos da comunidade européia? Afinal para que serve os recibos verdes, se eles após determinado tempo nos obrigam a ter que pagar altas somas em dinheiro, fazendo assim que nós acabamos por sair sempre lesados e endividados?

Porque temos que trabalhar 12 ou mais horas por dia e no final do mês acabamos por receber um miserável ordenado de 520 euros? Uma folga durante a semana é justa quando se é divorciado e se tem um filho que só se pode ver 15 em 15 dias?  Mas porque essa folga é durante a semana ficamos privados de o ver. São estas e muitas mais queixas que apresento aqui em nome dos que ainda consideram que devemos ter no mínimo um pouco de dignidade e respeito.

A culpa dos patrões devesse aos políticos deste país, que primitem tais coisas. Não existe fiscalização para este tipo de comportamento patronal, mas existe fiscalização para os empregados. O Zé povinho mais uma vez  é o que mais sofre nesta historia. Se disser que sinto pena, estaria mentido, sinto sim é vergonha de chegar muito antes do fim do mês e nem ter dinheiro para comer, o que já me aconteceu, ter que vir trabalhar 12 horas e não ter nem um pedaço de pão. Se alguém acha que estou a exagerar, pois estão bem enganados. Esta é pura realidade: que grande parte dos portugueses neste momento 2009-08-27 está a contar as moedas para poderem comprar um pedaço de pão e que existe muitos que nem moedas tem.

Eu sou vitima de um sistema corrupto, de governadores incapazes, de juízes cegos e surdos. Sou a voz dos amordaçados, o risso sinistro dos que anseia sorrir, mas que nem isso podem. Sou um cidadão da comunidade européia, mas  esquecido ou melhor posto a Marge. Não tenho quem me defenda ou me arranje um emprego mediante as minhas habilidades.

Hoje faço qualquer coisa, apenas porque tenho que sobreviver e me sujeito a tais coisas, porque se falar sou imediatamente expulso do meu local de trabalho. Se é que pode se chamar a isto trabalho?

miguel westerberg

~ por miguelwest em 28 de Agosto de 2009.

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