O artista


miguel westerberg

miguel westerberg

O artista, sempre, é tomado pelo desejo de realização e de mudanças.
Suas impulsões estão voltadas a abrir novos espaços, numa aventura de
abrir caminhos e horizontes. Esse desejo, às vezes, até pode ser
tomado como loucura. Mas não é. Trata-se de uma irrefreável
necessidade íntima de criar algo novo. Ele, o artista, é assim: um
idealista sem freios e fronteiras que não pode parar, sob pena de
sofrer por não poder realizar seus sonhos, praticar suas idéias,
exercitar suas habilidades. É esse trabalho contínuo, seja sobre a
prancheta, seja sobre as telas, seja sobre folhas em branco criando
poesia ou literatura, enfim, seja de que forma for, é assim que o
artista se consagra para si mesmo diante da obra perfeita e acabada,
colocada ao dispor da apreciação pública para o lazer e o encanto das
pessoas.Quando os artistas se unem para o compartilhamento dos
objetivos comuns. Essa junção artística gera uma visão mais ampla
sobre o significado da Arte, como realização de um ideal. Todos os
dias, há coisas novas a ser experimentadas nos variadíssimos ramos
artísticos. Só mesmo a união dos artistas sobre essas novidades gerará
frutos melhores e mais utilitários em favor da Arte. Guiomar
baldissera.

O retorno dos ismos – A minha amiga Guiomar me convidou para escrever
um artigo expondo as mudanças que a arte vem sofrendo. Assim sendo, me
prontifiquei a explicar, em poucas palavras, essas mudanças que vem
transformando a arte atual do séc. XXI e a visão dos artistas de um
modo geral. Para compreendê-la, de um modo mais abrangente, é
necessário retroceder ao passado para termos uma noção maior de espaço
e tempo para poder analisar o presente, pois é impraticável falar de
algo novo sem que se tenha a consciência do por que de certas mudanças
dentro de uma determinada área, principalmente quando essa área se
trata da arte.

Voltando então ao tempo do paleolítico, há mais de seis milhões de
anos atrás, quando o principio de tudo começou a germinar, os
sentimentos e a necessidade de comunicação deram origem aos primeiros
traços artísticos, expostos nas cavernas, em forma de sinais, símbolos
naturais e sobrenaturais, que descreviam o modo de vida de um ser que
viveu em um certo espaço e um determinado tempo. Mais tarde o homem
descobre as letras ainda em forma de sinais, bem visíveis no velho
Egito e em outros povos da época. Com o passar dos milênios o ser
humano cria a escrita e passa a tentar compreender as formas, linhas e
perspectiva de fundo, a fim de transmitir através do desenho e da
pintura os seus mais íntimos sentimentos, anseios, idéias e medos de
forma muito mais precisa. Aparecem assim os primeiros grandes
pintores: Botticelli, dando inicio aos primeiros frescos em igrejas na
Itália, Miguelangelo, Leonardo da Vince, Rafael e Caravaggio dentre
outros. Com o passar dos séculos surge Rembrandt, Vermer e Rubens, mas
mesmo assim, a pintura ainda é algo estritamente abstrato para a
maioria das pessoas, de difícil acesso, limitado aos grandes senhores,
ao clero e a nobreza.

É na entrada do século XIX que a arte sofre suas primeiras e grandes
transformações. Em parte, devido à fotografia e ao cinema, que
viabilizou a perda de um dos seus maiores monopólios: o retrato. Com a
urgência de novas idéias aparece então um pintor que rompe com os
padrões da pintura acadêmica, que obrigava os pintores a seguirem um
padrão clássico e ao mesmo tempo teatral. Foi o pintor Millet que fez
a sua primeira exposição independente em Paris no século XIX, numa
pequena barraca de madeira, de frente para a maior exposição
existente: a exposição mundial, que teve a torre Eiffel como a sua
principal atração. Para quem não sabe, a pintura de Millet era
simples, pois retratava, pela primeira vez, a classe operaria e o
cotidiano de uma sociedade. Foi duramente criticado, embora tenha sido
o pai da arte contemporânea, que abriu caminho para a liberdade de
expressão, fundando assim o primeiro movimento artístico: o
Naturalismo.

Nesse mesmo século um grupo de pintores, depois de presenciar a
exposição de Millet, decidiu cortar com o academismo e criar escolas
independentes. A mais conhecida é a dos pintores de Barbizon, que
saíram dos padrões pré-definidos e passam a pintar ao ar livre,
retratando as formas da natureza. Fato que os classificaram como
naturalistas. Dentre eles estão Manet, Claude Monet, Pizarro, Degas,
Renoir e outros que, ao decidirem fazer uma exposição independente,
foram classificados como impressionistas pela critica, devido à forma
pela qual suas pinturas eram retratadas. Uma das telas mais polemica
foi a de Claude Monet, com a tela impressão de sol nascente. A critica
atacou de tal forma este movimento, que chegou a sair nos jornais da
época em toda França.

Depois dos impressionistas vieram os expressionistas e os cubistas,
através das idéias polemicas e conturbadas de Pablo Picasso, que rompe
assim, de uma vez por todas, com as formas artísticas convencionais e
abre caminho para a pintura abstrata no principio do século XX,
gerando vários outros movimentos, entre eles, como já foi destacado
anteriormente, o expressionismo, o cubismo, o surrealismo, o dadaísmo,
o realismo, o futurismo, a pop arte, o minimalismo e outros. O que
estes movimentos têm de mais grandioso são as suas idéias e a
conjunção do todo que se interliga para que a arte fale mais alto e
enriqueça a mente e o espírito da humanidade, fazendo com que cada um
destes movimentos rompa com certos tabus impostos por aqueles que ate
então, tinha sobre eles, as rédeas do poder. A arte passa deste modo,
a ser uma forma de exprimir os sentimentos, conforme a área de atuação
de cada artista, quer seja na pintura, na musica, na literatura ou em
qualquer outra forma existente de arte.

Com a entrada de um novo século, o XXI, os movimentos artísticos
passaram para segundo plano, pois grande parte dos artistas tornou-se
demasiadamente individualista. Para inverter esse quadro temos que
levar a arte a retomar o seu percurso natural: de educar e ultrapassar
fronteiras! Espero que o Globalismo seja a palavra mais precisa que se
utilize para caracterizar a retomada desse objetivo principal, que faz
de nós, artistas, instrumentos de viabilização para esse propósito, a
fim de trazer mais conhecimento através de uma conscientização global.

Quanto a mim, tenho feito um amplo esforço e estou a par de tudo que
se passa aqui no Brasil, muito em especial no estado de S.Paulo, onde
existe, pelo menos, dois movimentos artísticos que estão em sintonia
com o mundo da globalização: os Globalistas, de Miguel Westerberg e o
Zazaistas, de Susana Jardim, que tem como fonte de divulgação um
jornal cultural chamado PNOB.

Espero que esse artigo leve a reflexão e compreensão da arte e dos
artistas e conscientize-nos de que estamos sempre em um processo de
mutação. Para acompanharmos as mudanças temos que nos desprender das
formas antigas e buscar o conhecimento necessário para melhor
exprimirmos, através da arte, todas essas transformações em um mundo
global.

Miguel Westerberg – SP – BRASIL

[Jornal Veja Paraná – Notícias de Guarapuava e Região – Guarapuava –
Paraná]
Prev: GROUPS OF GLOBALIST ARTISTS – SEC XXI

~ por miguelwest em 23 de Julho de 2009.

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