Eis mundo que vivemos…


O mundo que vivemos atualmente não é um mundo melhor, do que era há cem anos atrás. A globalização e todas as suas conseqüências negativas estão a ser provocadas por cada um de nós. Ignoramos o que não nos atinge, virando o rosto para o lado e seguimos em frente como se tudo estivesse bem. Acreditamos num mundo melhor e cremos viver nele, mas nada fazemos para que ele seja realmente melhor. Quanto mais temos, mas queremos e é por isso que ignoramos o que esta acontecer a nossa volta. Todo mundo diz que os que governam é que deveria tomar providencias para que o nosso mundo fosse um lugar seguro para se viver, não só seguro assim como perfeito. Afinal, temos uma casa, um emprego, um carro, dinheiro mesmo que não seja muito, mas que dá para se viver. Temos paz ao nosso redor, vivemos no mundo da lua e nada nos atingem, que quero mais?
Os problemas do meio ambiente não nos atingem, as violações dos direitos humanos infelizmente é pena, mas nada podemos fazer, afinal não somos político nem estamos no ramo policial. Os preços essências aumentam de dia para dia, mas enquanto tivermos dinheiro para pagar as contas, tudo vai bem. Há quem diga que é preciso que tudo mude para que tudo volte ao mesmo e é bem verdade. Estamos acomodados em nossas casinhas, no sofá da sala a ver televisão, as noticias que recebemos vindas de todo mundo também não nos atinge diretamente. Aceitamos tudo e ficamos tristes com certas cenas que observamos, mas apenas por breves minutos ou ate mesmo segundos. Depois é sempre depois, uma reflexão passageira e vamos nos deitar como se nada tivesse acontecido. Uma noite bem dormida e sem sobressaltos, logo o dia renasce e novas coisas acontecem, mas não estamos nem ai, afinal temos conforto e isso é o quanto nos basta para cruzarmos os braços e nada fazermos.

Saímos de carro para o trabalho e o trânsito está caótico, às vezes pela janela como por relance observamos os ônibus abarrotarem de gente, e nós sempre nós, no conforto, mas nem nos apercebemos que temos a nossa volta quatro lugares vagos. Se a poluição aumenta nem nos apercebemos, tudo passa por nós, porque acreditamos que não nos atingem. Poderíamos ligar a radio, mas por esta hora só passam as noticias de sempre, um assalto aqui e outro acolá, as guerras de sempre, os temas sobre política e os resultados do desporto. Desse modo mais pomos um CD e escutar uma musica ao nosso gosto. Quando chegamos ao nosso posto de trabalho nem reparamos que tudo esta como sempre deveria estar, o patrão foi de férias para bem longe, o chefe de equipa é casado com uma das tuas irmãs, por isso esta tudo em família. Como hoje é fim do mês o dinheiro cai direitinho na conta de banco, quanto às despesas tudo é pago diretamente pelo próprio banco, desse modo ficamos descansados. Na hora do almoço alguém ligou a TV e as noticias acabam de informar que ouve um terremoto na Ásia e que há cerca de sete mil desaparecidos e já existe uma estimativa de quantas mortes existem. Olhamos uns para os outros enquanto almoçamos e as palavras faltam-nos, depois as próximas noticias falam sobre futebol, ai sim te mos muito para dizer ao ponto que nos atrasamos para entrar no trabalho. Enquanto vamos subindo as escadas para entramos no trabalho uma de nossas colegas esta assentada nos degraus da escada a chorar, um de nós se aproxima e tenta obter uma justificação. Ela diz que um de seus filhos estava na Ásia quando ocorreu o terremoto e que ele acabara de ser encontrado morto entre os escombros. Um silêncio aos poucos nos vai corroendo por dentro é então que damos conta, que só quando algo nos atinge diretamente é que despertamos para a dura e cruel realidade da vida, mas agora já é tarde, bem tarde.

Miguel Westerberg – São Paulo – Brasil – 2008-04-26

~ por miguelwest em 26 de Abril de 2008.

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