DESENHO A CARVÃO – SÃO PAULO


RUA SÃO JOÃO – CENTRO DE SP
MIGUEL WESTERBERG
O ABISMO
Pascal em si tinha um abismo se movendo.
– Ai, tudo é abismo! – sonho, ação, desejo intenso,
Palavra! E sobre mim, num calafrio, eu penso
Sentir do Medo o vento às vezes se estendendo.
Em volta, no alto, embaixo, a profundeza, o denso
Silêncio, a tumba, o espaço cativante e horrendo…
Em minhas noites, Deus, o sábio dedo erguendo,
Desenha um pesadelo multiforme e imenso.
Tenho medo do sono, o túnel que me esconde,
Cheio de vago horror, levando não sei aonde;
Do infinito, à janela, eu gozo os cruéis prazeres,
E meu espírito, ébrio afeito ao desvario,
Ao nada inveja a insensibilidade e o frio.
– Ah, não sair jamais dos Números e Seres!
Baudelaire

~ por miguelwest em 6 de Março de 2008.

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